Cartografia Fragmentada

Créditos: André Matos.

2025, março – outubro

Fiação, feltragem, costura, bordado e crochê em lã churra algarvia e lençol de algodão

148 × 327 × 9 cm

Cartografia Fragmentada traça um mapa íntimo e irregular, feito de fios, fragmentos e memórias. Entre a lã churra algarvia em bruto e pedaços de um lençol de família herdado, emerge a presença do têxtil como elo entre gerações. O trabalho revela percursos internos que se inscrevem no gesto e no tempo, onde a matéria se fragmenta para depois recompor-se em formas mais expansivas. Cada camada evoca uma topografia sensível de descobertas, em que o corpo da obra guarda rastros de memória e reinvenção — uma cartografia fragmentada, mas inteira em seu processo de descoberta.

A peça foi desenvolvida durante os seis meses da residência Alinhados pela mesma Lã, com curadoria de Vasco Águas e acompanhamento técnico de Paula Neves, promovida pelo Loulé Criativo.

Venerar o Mistério

2025, janeiro

Feltragem úmida e feltragem de agulha em lã merino, fiação, bordado, crochê, queima de tecido e LED

73 x 197 x 18 cm

A peça explora o ato de venerar o mistério como uma compreensão intuitiva, equilibrando identidade e ancestralidade. O lençol dos avós evoca a identidade herdada, enquanto a feltragem – moldada pelo ar, pela água e pelo tempo – fala de impermanência, exigindo presença além do controle racional. A forma escultural incorpora o equilíbrio: um espaço dinâmico onde o caos é ordenado pela magia misteriosa do éter. Suspensa entre a matéria e o intangível, a peça se torna o meu quinto elemento, um lembrete de que a presença surge por meio da respiração, do tempo cíclico e da percepção de que não existe “fora”.

O rio é um fio

2024, outubro

Feltragem úmida em lã merino e fio de algodão

62,5 x 37,5 cm

Peça desenvolvida durante a 5ª edição da exposição OpenStudios Faro, em formato de estúdio aberto. Sua concepção faz referência ao ‘Río Abajo Río’, mundo entre-mundos que representa o mistério da criação na tradição latino-americana. Assim como o rio flui, transformando-se sem nunca perder sua essência, o fio nasce de uma frágil fibra que, torcida, se torna forte e dá forma a novos caminhos. Essa descoberta marcou a humanidade e possibilitou novas formas de habitar e viver. Este trabalho celebra o fio da humanidade, um fluxo contínuo que se transmuta a cada geração, mas sempre parte do mesmo novelo.

Rio-montanha

2024, abril

Feltragem úmida em lã merino

37,5 x 37,5 cm

Esse trabalho representa o encontro da artista com a feltragem e, através dela, com uma nova forma de criar. Foi nesse fluxo de experimentação que ela encontrou leveza e contentamento, permitindo-se explorar padrões e cores que hoje são parte de sua identidade criativa. A peça reflete a liberdade do gesto abstrato, como uma dança silenciosa entre mãos e matéria, revelando estados de espírito que se desdobram em camadas de lã. É a manifestação de uma descoberta íntima: um processo quase performático que conecta corpo, cor e criação.